segunda-feira, 13 de julho de 2015

I - Filosofia e Cristianismo a partir de Jacques Maritain



Sabemos que a reflexão filosófica não nasce com o cristianismo, nem mesmo depende exclusivamente deste último, mas isto não significa que a nossa tentativa de relacioná-los seja algo forçado ou até mesmo arbitrário.
Evitando qualquer espécie de confusão entre os papéis destas duas esferas que compõem a nossa realidade quotidiana, nós não iremos identifica-las completamente, pois assim correríamos o risco de não conseguir distingui-las, o que seria outro erro tão grave quanto aquele que consiste em opô-las brutalmente.
Queremos mostrar que é necessário que as correntes filosóficas que dispensam os dados do cristianismo - como também aquelas que se nutrem destes últimos -, deixem de se comportar como se fossem as representantes oficiais da filosofia, e reconheçam que são nada mais que etapas, que são períodos, ou seja, estados da filosofia. Eis o que o filosofo francês nos diz a este respeito: “É necessário distinguir a natureza da filosofia, ou aquilo que ela é em si mesma, e o estado onde de fato ela se encontra, historicamente, no sujeito humano, e que se relaciona às condições de existência e de exercício numa ordem concreta. certamente esta distinção pressupõe que a filosofia possua uma natureza, que ela seja capaz de se apresentar como uma realidade concreta”. (Maritain, 1933, p. 27)
O instrumento que pode estabelecer um equilíbrio salutar entre a situação concreta da filosofia e a sua natureza é a própria capacidade de abstração que é peculiar ao ser humano.
É com esta capacidade de abstração que imergimos num determinado contexto histórico que caracteriza um período filosófico, mas é ainda com esta mesma que emergimos evitando os perigos de um possível abstracionismo, e descobrimos que a filosofia certamente realiza alianças com uma história, com situações particulares, com tudo aquilo que é próprio de um tempo, mas descobrimos ainda que a filosofia jamais se isenta de ultrapassar, de redimensionar, de entrar em diálogo com o novo e de enfrentar equações que reúnem tanto o sujeito questionador quanto as interrogações que são próprias do seu tempo.
Desta maneira, para descobrir aquilo que a nossa primeira pergunta-guia pode nos oferecer, é necessário que estabeleçamos uma ideia abrangente e concreta da reflexão filosófica, ou seja, precisamos fazer com que esta mesma não se sinta satisfeita diante de resultados parciais que não contemplam a dimensão sobrenatural da pessoa humana.
Uma reflexão filosófica que possua este perfil nos ajuda a questionar não apenas as reflexões que não exprimem o seu compromisso com a busca da Verdade que caracteriza a nossa existência, mas também pode abrir os nossos olhos quanto ao teor dos elementos presentes na sua constituição.

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