quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

O Papa Francisco e a Encíclica “Laudato Sì” – sobre o cuidado da Casa Comum.

No dia 13 de março de 2013 fomos surpreendidos com a chegada deste Papa argentino chamado Francisco. Um filho de imigrantes que deixaram a pobre Itália em busca de dias melhores nas terras latino-americanas. Nós que até então estávamos habituados com a sucessão eurocêntrica de pontífices, fomos presenteados com um Papa que é filho de uma terra que desde cedo conheceu as dores do martírio. Não apenas o Brasil, mas toda a América latina é Terra de Santa Cruz.
Como os santos inocentes, esta Terra enquanto ainda engatinhava e balbuciava seus primeiros sons foi brutalmente esfaqueada, depredada por aqueles que usurparam não apenas suas riquezas naturais, mas afetaram sua dignidade. Este outro lado do mundo deu-nos o Papa que em meio aos senhores cardeais desconcertou-nos no seu primeiro pronunciamento pedindo-nos que o abençoássemos. Foi desta Terra repleta de privações impostas por tantos dominadores que o Espírito chamou este homem para conduzir o rebanho de Cristo outrora confiado a Pedro.
O mesmo Espírito que suscitou o jovem Francisco no século XIII guia o seu pontificado que nos enche de alegria. Nas páginas da sua encíclica “Laudato Sì” (nº1-3) o Papa retoma o canto de Francisco tantas vezes entoado e meditado nas comunidades paroquiais. Este canto nos remete ao livro do Gênesis quando Deus nos entrega a criação para que exerçamos um domínio que reside no serviço.
Sabemos dos nossos espaços de catequese, que Deus nos deu a faculdade de nomear a criação. Dar o nome significa definir a direção existencial, é participar do processo de criação, por isso a humanidade é criada e ao mesmo tempo é co-criadora. Deus mesmo no seu desígnio divino compartilha com a humanidade a sua atividade criadora.
Toda a criação é intercalada por este refrão: “E Deus viu que isso era bom” (Gênesis 1, 10.12.18.21.25). No coração de Deus a criação é boa, pois gera comunhão. A razão de ser da criação é gerar comunhão, partilha e reconciliação. Relendo as páginas da criação não há espaço para o exclusivamente meu, mas tudo é inteiramente nosso. Não há nada de singular no relato da criação, não há nada de estreito e unilateral. Toda a criação é plural. Singularizá-la e endereçá-la para os canais individuais da desenfreada ganância humana é feri-la na sua identidade mais profunda que consiste em ser-comum.
Utilizar a Terra para acentuar os bens da minha família, da minha classe, da minha empresa, da minha igreja é distanciá-la dos projetos de Deus que não criou os latifúndios e os monopólios e sequer suporta vê-los regados por uma política seja esta socialista utópica ou capitalista selvagem que aniquila o bem comum social, gerando esta nefasta exclusão que sufoca a Criação-Comunhão.

Um comentário:

  1. Boa reflexão!!! Parabéns. O homem é um ser pensante, precisamos exercer melhor nosso raciocínio em prol da Criação-Comunhão.

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